a) artigo definido feminino a ou as
b) pronome demonstrativo a ou as
c) o a inicial dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo
d) a letra a antecedente do pronome relativo a qual (quais)
A representação da crase é: à ou às. Esta chama-se acento grave indicativo de crase.
Para aplicar corretamente a crase, em regra geral, é preciso saber se o termo regente aceita a preposição a e o termo regido aceita o artigo a.
Observe:
a) Eu obedeci à professora.
TERMO REGENTE: obedeci (verbo) - Quem obedece, obedece a alguém - REGÊNCIA VERBAL
TERMO REGIDO: a professora (palavra feminina)
Neste exemplo, o verbo obedecer exige a preposição a. Além disso, temos de analisar se a palavra que vem depois aceita o artigo.
Veja a frase abaixo:
A professora é bonita. (aceita o artigo A)
A palavra professora é feminina e aceita o artigo, portanto aplica-se a crase na frase Eu obedeci à professora.
b) É homem propenso à colera.
TERMO REGENTE: propenso (nome) - Quem é propenso, é propenso a alguma coisa - REGÊNCIA NOMINAL
TERMO REGIDO: a colera (palavra feminina)
Como no exemplo anterior, o nome propenso exige a preposição a e colera é uma palavra feminina que aceita o artigo a. A diferença entre os dois exemplos é o tipo de regência.
Visto este início, pode-se concluir que, na maioria dos casos, o USO DA CRASE está ligado diretamente à REGÊNCIA. Esta é, portanto, o modo pelo qual um termo rege outro que o complementa.
A crase pode ser:
* obrigatória
* facultativa
* proibitiva
CRASE OBRIGATÓRIA
1) Se, na troca da palavra feminina por uma masculina, aparecer antes a contração AO (A-prep.+O-art.), a crase será obrigatória.
O fumo é prejudicial à saúde (a + a)
Trocando-se a palavra saúde por uma masculina ...
O fumo é prejudicial ao organismo (a + o) - Aqui fica mais fácil identificar a presença do artigo.
ATENÇÃO!! O a no singular que antecede nome no plural é apenas a preposição e, portanto, não pode ser acentuado.
A lei não se referia a pessoas idosas
Para que o acento ocorresse a frase deveria ser:
A lei não se referia às pessoas idosas (aos homens idosos)
2) Com topônimos (Nomes próprios de lugares)
Use o seguinte artifício para detectar a presença do artigo:
SE ESTOU NA ...
OU VOLTO DA ...
PODE HAVER CRASE NO A (DEPENDE DA REGÊNCIA)
SE ESTOU EM ...
OU VOLTO DE ...
CRASE PRA QUÊ
Vou à Bahia (O verbo ir pede a preposição a, e a Bahia aceita o artigo feminino a - Estou na Bahia) (em + a = na)
Agora... Vocês ainda conhecerão a Itália (Neste exemplo, existe o artigo a - estou na Itália, mas não existe a preposição a porque a regência do verbo conhecer não pede preposição - Quem conhece, conhece alguém ou algum lugar)
Vou a Roma (Aqui, existe a preposição, mas não existe o artigo - estou em Roma)
Mas se a cidade tiver modificador:
Vou à Roma dos Césares
3) Nas locuções adverbiais - à direita, à esquerda, à força, à vontade, à mesa, etc.
Observe:
Sentar-se à mesa significa sentar-se ao redor dela.
Sentar-se na mesa signica sentar-se em cima dela.
O acento é opcional nas locuções adverbiais de meio ou instrumento: (Assunto polêmico entre os gramáticos)
Barco a (ou à) vela, Escrever a (ou à) mão, repelir o invasor a (ou à) bala. (A tendência é pelo uso da crase)
Deixa de ser optativo para evitar duplo sentido:
Feriu o rapaz a faca (a faca = sujeito) - seria a mesma coisa dizer: A faca feriu o rapaz
Feriu o rapaz à faca (à faca = adjunto adverbial de instrumento) - foi ferido com a faca
4) Nas locuções prepositivas - à espera de, à procura de, à frente de, etc.
Ficamos à frente do grupo.
Quando as locuções prepositivas à moda de ou à maneira de ficam subentendidas, ocorre a crase normalmente:
O mestre-sala vestia-se à Luís XV. (= à moda de Luís XV)
5) Nas locuções conjuntivas - à medida que, à proporção que, etc.
Progrediremos à medida que trabalharmos.
6) Na contração da preposição a com um dos pronomes demonstrativos a, aquele(s), aquela(s), aquilo.
Sempre dou conselhos àquele rapaz (a + aquele) - Quem dá, dá alguma coisa (conselhos) a alguém (aquele rapaz).
Não estou falando de todas as jovens; refiro-me à que você namora.
ATENÇÃO!! Para saber se o a é pronome demonstrtativo tente substituí-lo por aquele, aquela ou aquilo.
Não estou falando de todas as jovens; refiro-me àquela que você namora.
7) Com o pronome relativo A QUAL
Essa é a pessoa à qual fiz referência (Quem faz referência, faz referência a alguém) - a + a qual
Mas observe:
Essa é a pessoa a que fiz referência (O a desta frase é apenas preposição)
Com o pronome relativo que, para haver crase, deve existir o pronome demosntrativo antes.
Observe:
Essa caneta é igual à que perdi ontem (igual àquela que perdi ontem) - a + a(ou aquela) + que
Um método prático para detectar a presença da crase neste caso: trocar o antecedente por palavra masculina. Se o A virar AO, existe a crase.
Esse chapéu é igual ao que perdi ontem (a-prep. + o-pron. dem.)
Conheço a história a que se referem (sem crase)
Conheço o caso a que se referem (não apareceu ao)
8) Com a palavra HORA, quando indica o momento exato em que ocorre alguma coisa:
O trem chegou à estação às 18 horas.
9) Com a expressão à distância de, seja ela determinada, precisa ou não:
Achava-me à distância de cem metros do local do crime
Os bombeiros permaneceram à distância de 50 metros do incêndio
Paramos à distância de alguns metros do riacho
Não haverá a crase se o verbo não pedir a preposição:
Motoristas, matenham a distância de 20 metros entre os veículos.
Quando se trata da locução adverbial a distância (indeterminada), é opcional o uso da crase: (Muitos escritores ora acentuam, ora não acentuam. Não existe um consenso.)
"É necessário vê-los a distancia." (GRACILIANO RAMOS)
"Pedras de gamão estavam à distância." (GRACILIANO RAMOS)
CRASE FACULTATIVA
1) O uso do artigo fica facultado antes dos pronomes possessivos. Assim, se houver a preposição, a crase é facultativa.
Referiu-se a minha viagem ou
Referiu-se à minha viagem.
Observe que o verbo pronominal referir-se pede a preposição a e, com relação ao artigo, posso formar dois tipos de frase:
Minha viagem é hoje ou
A minha viagem é hoje.
Observe que posso ou não usar o artigo.
Mas antes de possessivos acompanhados de nome de parentesco, não se usa o sinal indicativo de crase:
Dei isto a sua mãe.
2) Antes de nome de mulher.
Observe também, neste caso, que podemos formar frases com ou sem o artigo + nome
de mulher.
Posso dizer:
Juliana é feia ou
A Juliana é feia.
Quanto à preposição, ela depende da regência.
Posso dizer:
Direi isso a Juliana ou
Direi isso à Juliana.
REGÊNCIA DO VERBO DIZER: Quem diz, diz alguma coisa (isso) a alguém (Juliana)
3) Antes da preposição ATÉ, mas podemos usar também a locução ATÉ A. Se a palavra que vier depois for feminina, pode haver a crase.
Irei até a chácara ou
Irei até à chácara. (Irei até os limites da chácara)
Se compararmos com uma palavra masculina:
Irei até o sítio ou
Irei até ao sítio. (Irei até as imediações do sítio)
Na maioria dos casos, deve-se utilizar sem crase. A crase só cabe pra evitar ambiguidades.
Os garimpeiros danificaram todo o rio até à nascente. [Sem o acento grave, poder-se-ia entender que os garimpeiros danificaram inclusive a nascente]
Até a = Indica inclusão.
Ate à = Indica limite, isto é, exclusão.
4) Antes destes nomes próprios de lugares: Europa, Ásia, África, França, Inglaterra, Espanha, Holanda, Escócia e Flandres.
Fui a (ou à) Europa o ano passado.
CASOS PROIBITIVOS
1) Antes de palavra masculina:
Ele gosta de andar a cavalo.
2) Antes de substantivo tomado em sentido genérico ou indeterminado:
Elisabete não vai a festa, a reunião, a parte alguma.
Observe, por exemplo, que não está sendo determinada festa alguma, portanto fica-se sem o artigo definido feminino. Neste caso, só exite a preposição.
3) Antes do artigo indefinido uma (Por quê? Deixe seu comentário aqui com sua resposta)
Dirigi-me a uma pessoa da platéia (Aqui só existe a preposição a exigida pelo verbo)
4) Diante da palavra casa no sentido de lar, domicílio, quando não acompanhada de adjetivo ou locução adjetiva
Voltamos a casa tristes (vim de casa - não existe o artigo)
Acompanhada de adjetivo ou locução adjetiva:
O filho pródigo voltou à casa paterna (vim da casa paterna - existe o artigo)
5) Antes da palavra terra quando antônima de bordo
Os tripulantes do navio ainda vieram a terra.
Fora desse caso:
Aves voavam rente à terra.
6) Antes de todos os pronomes que não admitem artigo (a maioria dos indefinidos e relativos e boa parte dos demonstrativos)
Não estou fazendo alusão a nenhuma das pessoas presentes.
Esta é a vida a que aspiramos.
Dei a esta moça o melhor presente.
7) Antes de verbo
Estamos dispostos a colaborar (não existe o artigo)
8) Diante de nomes próprios que não admitem o artigo
Rezamos a Nossa Senhora todos os dias.
9) Nas locuções formadas com a repetição da mesma palavra
Tomou o remédio gota a gota
Estavam frente a frente
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Na maioria dos casos, observe estes dois tópicos abaixo:
* Observe sempre a regência que ocorre na frase. Para que exista a possibilidade de ocorrência de crase, o termo regente (verbo ou nome) deve exigir a preposição a.
* Para que o artigo a ocorra, a palavra tem que ser feminina. Tente formar uma frase começando com ela e veja se o artigo aparece:
É um favor que peço à senhorita (Quem pede, pede alguma coisa a alguém e a palavra senhorita permite o artigo porque posso formar uma frase começando com aquela onde este aparecerá: A senhorita é linda!!)
Solicito a Vossa Senhoria o obséquio de anotar nosso endereço (Quem solicita, solicita alguma coisa a alguém, mas a frase não admite o artigo. Formando a frase: Vossa Senhoria está cansada?)
Para saber quais são os termos regentes que aceitam a preposição a, estude as regências nominal e verbal em regência.
Questão 15 da prova do CESPE - BANCO DO AMAZONAS SA (2010)
Questão 9 da prova do CESPE - INMETRO (NÍVEL SUPERIOR 2009)
Questão 10 da prova da FCC - TRT-SE (TEC.2010)
Questão 8 da prova da FCC - TRT/MG (TÉCNICO/2009)
Questão 19 da prova da FCC - TRT/MA (TEC.JUD.2009)
Questão 75 da prova da ESAF - ATA-MF/2009
Questão 4 e 5 da prova da ESAF - ANA/2009
Questão 6 da prova do CESPE - IBAMA (SUPERIOR 2009)
Questão 5 da prova da (CESGRANRIO) CAIXA, MÉDIO, 2012
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