quinta-feira, 22 de maio de 2008

REGÊNCIA

A sintaxe de regência trata das relações de dependência entre os termos de uma frase. A regência é o modo pelo qual um termo rege outro que o complementa.

Em português, há dois tipos de regência: a nominal e a verbal.

Na frase, existem termos regentes e termos regidos. Os regentes são os termos que exigem a presença de outros que lhes completem o sentido. Os que completam este sentido são os regidos. Quando um verbo rege outro termo, tem-se a regência verbal:

“... ele não acreditava em nada daquilo,...” (Lya Luft)
(quem acredita, acredita em).

Quando um nome rege outro termo, tem-se a regência nominal:
Junto do prato, sempre as pedrinhas coloridas que são meus comprimidos.” (Lya Luft)
(quem está junto, está junto a ou junto de).

ATENÇÃO:Nem sempre, entre os termos regentes e regidos, haverá preposição. Isso vai depender do nome ou do verbo regente da frase.
REGÊNCIA NOMINAL
Neste caso, os nomes, que são os termos regentes, podem ser os substantivos e adjetivos. Abaixo, apresentamos a regência de alguns nomes que são consenso entre gramáticos:

Acessível a
Alheio a, de
Aversão a, para, por
Avesso a
Compatível com
Constituído de, por, com
Contente com, de, em, por
Contíguo a
Cruel com, para com
Curioso de, por
Devoção a, para com, por
Devoto a, de
Dúvida acerca de, de, em, sobre
Empenho de, em, por
Fácil a, de, para
Falho de, em
Feliz com, de, em, por
Fértil de, em
Hostil a, para com
Passível de
Peculiar aPropício aPróximo a, de
Residente em
Suspeito a, de
Versado em
Vizinho a, com, de

REGÊNCIA VERBAL

Para se entender a regência verbal, é importante, antes, falar sobre predicação verbal que é o modo pelo qual o verbo forma o predicado.

Classificação dos verbos quanto à predicação:
Transitivos diretos – verbos que exigem complemento que se liguem a ele sem a necessidade de preposição:

Meu pai comprou um carro. (quem compra, compra alguma coisa)

Transitivos indiretos – verbos que exigem complemento que se liguem a ele com a presença de preposição:

Eu preciso de ajuda. (quem precisa, precisa de alguma coisa)

Transitivos diretos e indiretos – verbos que exigem dois complementos: um direto (sem preposição) e outro indireto (com preposição)

A professora disse aos alunos que a prova seria na segunda-feira. (quem diz, diz alguma coisa a alguém)

Intransitivos – verbos que não exigem complemento.

A gente dormia no mesmo quarto. (quem dorme, dorme)

OBS: Neste último exemplo, no mesmo quarto é adjunto adverbial de lugar.
De ligação – verbos que ligam uma qualidade ou estado ao sujeito. A esta qualidade dá-se o nome de predicativo. Podem ser verbos de ligação: ser, estar, permanecer, ficar, andar, viver, achar-se, parecer, continuar, etc.

As matrículas acham-se abertas.
Abaixo, segue a regência de alguns verbos:

Abdicar (Renunciar, desistir)

É intransitivo:
D. Pedro I abdicou em 1831.
É transitivo direto:
A beldade abdicou o seu título de rainha.

É transitivo indireto (rege a preposição de)
Não abdicarei dos meus direitos.
Abraçar
É transitivo direto no sentido de cingir com os braços, ocupar-se de, seguir:
Muitos ainda abraçam as idéias comunistas.

OBS: O verbo abraçar pode ainda ter o sentido de adotar como sua:
Abroçou nossa causa.

Como pronominal, é transitivo indireto no sentido de cingir com os braços (rege a preposição a):
O bêbado abraçava-se ao poste para não cair.
Agradar
É transitivo direto no sentido de fazer agrados, mimar, acariciar:
A criança agrada seu cãozinho, coçando-lhe a cabeça.

É transitivo indireto no sentido de ser agradável, contentar, satisfazer, sendo o sujeito da oração nome de coisa (rege a preposição a):
A música agradou ao público

Neste mesmo sentido, quando o sujeito é nome de pessoa, é transitivo direto:
Por mais que se esforce, ela não consegue agradar o chefe.
Também pode ser intranstivo:
A apresentação da orquestra não agradou.
Como pronominal, é transitivo indireto no sentido de gostar (rege a preposição de):
Leila agradou-se muito do rapaz.

Agradecer

É transitivo direto e indireto com objeto direto de coisa e indireto de pessoa (rege a preposição a):
Agradeci o presente a meu pai.

Ajudar
É transitivo direto ou indireto, indiferentemente (quando indireto, rege a preposição a):
Ajudei este homem nos seus estudos.
Ajudei a este homem nos seus estudos.

Seguido de infinitivo, é transitivo direto e indireto:
Ajudei este homem a estudar.
Aludir
É transitivo indireto no sentido de referir-se (rege a preposição a):
Preferi não aludir a desagradável incidente.
OBS: Não admite, como complemento, o pronome átono lhe. Neste caso, utilize as formas tônicas a ele, a ela:Como o caso era melindroso, não aludi a ele.

Amar

É verbo transitivo direto:
Eu amo meu filho.

OBS: Em construções com a preposição a, temos objeto direto preposicionado:
Amar a Deus sobre todas as coisas.

Ansiar
É transitivo direto no sentido de causar mal-estar, angustiar, oprimir:
A falta de espaço ansiava o prisioneiro.
É transitivo indireto no sentido de desejar, almejar (rege a preposição por):
O povo brasileiro anseia por dias melhores.
Antipatizar (Não é verbo pronominal)

É transitivo indireto (rege a preposição com):
Antipatizei com todos naquela casa.
OBS: O verbo simpatizar (verbo pronominal) apresenta a regência do verbo antipatizar.

Apelar
É transitivo indireto no sentido de interpor recurso judicial à instância superior (rege a preposição de...para) ou no sentido de invocar auxílio de, recorrer (rege a preposição para):
O advogado apelou da decisão para o Superior Tribunal de Justiça.
Apelou muito para Santo Antônio, mas mesmo assim ficou solteira.

Aspirar
É transitivo direto no sentido de cheirar, haurir, sorver, inspirar, inalar, tragar:
Ela aspirou o perfume que o namorado usava.
É transitivo indireto no sentido de almejar, pretender, desejar, ambicionar (rege preposição a):
Eu aspiro ao cargo de gerência na empresa.
OBS: Não admite, como complemento, o pronome átono lhe. Neste caso, utilize as formas tônicas a ele, a ela:Eu aspiro a ele.
Assistir
É transitivo direto no sentido de prestar assistência, confortar, ajudar, socorrer:
O médico assistiu o doente.
OBS: Neste caso, alguns gramáticos dizem que, neste sentido, o verbo assistir também pode ser indireto, mas alguns dos principais gramáticos afirmam que ele é apenas direto. Num concurso, seria uma questão polêmica que deve ser evitada pelos seus elaboradores.
É transitivo indireto no sentido de ver, presenciar (rege a preposição a):
Os torcedores assistiam ao jogo do Bahia.
OBS: Não admite, como complemento, o pronome átono lhe. Neste caso, utilize as formas tônicas a ele, a ela:“Não é propósito nosso descrevermos uma corrida de touros. Todos têm assistido a elas...” (REBELO DA SILVA)

É transitivo indireto também no sentido de caber, competir (rege a preposição a):
Este é um direito que assiste ao diretor.
Neste caso, aceita o pronome átono lhe.
Não lhe assiste o direito.

É intransitivo e de uso arcaico no sentido de morar, residir (rege a preposição em):
Assisto em Salvador desde que nasci.
IMPORTANTE: A explicação para todas as inaplicabilidades do pronome lhe (representante do objeto indireto) é simples: ele é um pronome que só pode fazer referência a pessoas.
Atender
É transitivo direto no sentido de acolher ou receber alguém com atenção, responder a alguém que se direge a nós, ouvir, conceder, deferir um pedido:O diretor atendeu os alunos.
Deus atendeu a súplica de seu servo.

É transitivo indireto no sentido de dar atenção a alguém, ouvir-lhe os conselhos, levar em consideração, atentar, prestar atenção a, satisfazer (rege a preposição a):
A mãe não atendia aos apelos do filho.
Atenderemos ao chamado do cliente.

Atingir
É transitivo direto, sempre:
Ele atingiu o auge da fama.
Avisar
É transitivo direto e indireto com objeto direto de coisa e indireto de pessoa, ou vice-versa.
Avisei o resultado aos alunos.
Avisei os alunos do resultado.

OBS: Os verbos prevenir, informar, certificar, comunicar, notificar e cientificar apresentam a regência do verbo avisar.
Bater
É transitivo indireto no sentido de dar pancadas (rege a preposição em):
Ele batia no menino todo dia.

Outros sentidos do verbo bater:
Bater a porta. (fechá-la com força)
Bater à porta. (Bater junto à porta para que abram)
Bater na porta. (Dar pancadas na porta)

Chamar
É transitivo direto no sentido de convocar, convidar, pedir a presença de alguém:
Ninguém o chamou aqui, moço.
É transitivo direto ou indireto no sentido de denominar ou qualificar alguém. Neste caso, o predicativo do objeto pode ser preposicionado ou não:
Chamei-o esperto.
Chamei-o de esperto.
Chamei-lhe esperto.
Chamei-lhe de esperto.

Chegar
É intransitivo que aparece modificado por adjunto adverbial de lugar (rege a preposição a):
Chegamos a São Paulo pela manhã.
Cheirar

É transitivo indireto no sentido de exalar um cheiro em particular (rege a preposição a):
O ambiente cheirava a cigarro.
Classificar (verbo pronominal)

É transitivo indireto no sentido de qualificar-se para outra fase de uma competição, concurso, vestibular, etc.
Será que seu time se classifica para a final do campeonato?
Comparecer
É intransitivo usado com adjunto adverbial de lugar (rege a preposição em ou a):
Os alunos não compareceram hoje na (ou à) escola.
Compartilhar
É transitivo direto ou indireto no sentido de tomar parte em (quando indireto, rege a preposição de):
Compartilhamos (de) sua alegria.
Consentir
É transitivo direto e indireto no sentido de permitir, aceitar (rege a preposição a):
O chefe consentiu ao funcionário que saísse mais cedo.

É transitivo indireto no sentido de concordar, anuir, aquiescer (rege a preposição em):
O pai não consentiu no casamento da filha.
Consistir
É transitivo indireto (rege a preposição em):
O arquipélago consiste em dezenas de ilhas.
Contentar-se
É transitivo indireto (rege a preposição com, de ou em):
“Contento-me com os raios desse ocaso.” (VISCONDE DE TAUNAY)
“Contentei-me de responder que não era tarde.” (MACHADO DE ASSIS)
“Contentava-se em bater palmas de longe.” (ANÍBAL MACHADO)

Custar
É transitivo indireto no sentido de ser custoso, difícil. Emprega-se apenas na 3ª pessoa e, geralmente, possui como sujeito uma oração reduzida de infinitivo, precedida ou não da preposição a:
Custa-me entender isso.
Custa-me a entender isso.


É transitivo direto e indireto no sentido de acarretar trabalhos, causar incômodos, sofrimentos, prejuízos (rege a preposição a):
A conquista do pão custa ao pobre muitos sacrifícios.

É intransitivo no sentido de determinar preço ou valor:
O livro custou quinhentos reais.
Deitar (verbo pronominal)

É intransitivo usado com adjunto adverbial:
Eu me deito tarde.
OBS: O verbo levantar (verbo pronominal) apresenta a regência do verbo deitar.
Demorar
É transitivo indireto no sentido de levar tempo, tardar ou custar e se usa com ou sem o pronome (rege a preposição a):
O juiz demorou (ou demorou-se) a dar a sentença.
É verbo pronominal intransitivo no sentido de atrasar-se:
Não se demorem, crianças.

Deparar
É transitivo direto ou indireto no sentido de encontrar (rege a preposição com):
Deparei dois erros na prova.
Deparei com dois erros na prova.

É verbo pronominal transitivo indireto no sentido de apresentar-se, surgir (rege a preposição a):
Uma solução deparou-se aos problemas.
É transitivo direto e indireto no sentido de fazer aparecer, apresentar (rege a preposição a):
“A ciência do naturalista não deparou a solução ao problema.” (CARLOS DE LAET)

Desfrutar

É transitivo direto ou indireto, indiferentemente (rege a preposição de):
Eles não conseguem desfrutar a (da) casa de praia, porque não têm tempo.

OBS: O verbo usufruir apresenta a regência do verbo desfrutar.

Desobedecer
É transitivo indireto (rege a preposição a):
Não desobedeçam aos sinais de trânsito.

OBS: O verbo obedecer apresenta a regência do verbo desobedecer.

Dignar-se (verbo pronominal)

É transitivo direto ou indireto, indiferentemente (rege a preposição de):
“Não se dignou abrir os olhos.” (JOSÉ GERALDO VIEIRA)
“Ele azeitava uma espingarda, sem dignar-se de levantar os olhos para mim.” (OTO LARA RESENDE)

Empatar
É transitivo indireto (rege as preposições de ou por):
Os dois times empataram de (ou por) 2 a 2.
Ensinar
É transitivo direto e indireto com objeto direto de coisa e indireto de pessoa ou objeto direto de pessoa e indireto no infinitivo (rege a preposição a):
Ensino a dança a João.
Ensina-o a converter cada espinho em flor.

Entreter-se (divertir-se, ocupar-se)

É transitivo indireto (rege as preposições a, com ou em):
De noite entretinha-se a ouvir música.
As crianças entretiveram-se com os palhaços.
Às vezes nos entretínhamos em recordar o passado.

Esquecer
É transitivo direto:
Esqueci o seu aniversário.
É transitivo indireto quando pronominal (rege a preposição de):
Esqueci-me do seu aniversário.
Ainda existe uma terceira construção estritamente literária:
Esqueceu-me o seu aniversário.
ATENÇÃO: O que nos dois primeiros exemplos é objeto (direto ou indireto) passa a sujeito no terceiro: O seu aniversário fugiu-me da lembrança.
OBS: Os verbos lembrar e recordar apresentam a regência do verbo esquecer.

Fugir
É transitivo indireto no sentido de ir embora (rege a preposição de) e também indireto no sentido de evitar (rege a preposição a ou de):
A menina fugiu de casa.
Não fuja aos (dos) problemas.

Implicar
É transitivo direto no sentido de acarretar, produzir como conseqüência:
Toda ação implica uma reação igual e contrária.

É transitivo indireto no sentido de ter implicância, mostrar má disposição (rege a preposição com):
A sogra costumava implicar com o genro.
É transitivo direto e indireto no sentido de envolver, enredar, comprometer (rege a preposição em):
Falsos amigos implicaram o jornalista na conspiração.
Implorar

É transitivo direto e indireto. Não devem ser usados com PARA, a menos que esteja oculta a palavra licença (rege a preposição a):
Implorei ao professor que não demorasse.
OBS: Os verbos pedir e suplicar apresentam a regência do verbo implorar.O menino pediu para sair. (pediu licença)

Ir
É intransitivo que pode aparecer modificado por adjunto adverbial de lugar regido da preposição a:
Vou ao cinema quarta-feira.

Levantar-se (verbo pronominal)

É intransitivo.
Levanto-me bem cedo, todos os dias.

OBS: O verbo deitar também é pronominal e tem a mesma regência de levantar.

Malograr-se (verbo pronominal)

É intransitivo no sentido de perder-se:
Essas providências fizeram o plano terrorista malograr-se.

Morar

É intransitivo e se faz acompanhar de adjunto adverbial de lugar (rege a preposição em):
Maria mora na rua das Orquídeas.

OBS1: Os verbos residir e situar apresentam a mesma regência de morar.

OBS2: Com a preposição a, só tem cabimento em construções que não designam logradouros públicos.
Moro a cem metros da estrada.

Obedecer

Fixou-se como transitivo indireto:
Obedeça à sinalização.

Também pode ser empregado como intransitivo:
Você é o único que não obedece.

OBS1: O verbo desobedecer apresenta a mesma regência de obedecer.

OBS2: Apesar de transitivo indireto, muitos gramáticos aceitam a voz passiva:
Os pais são obedecidos pelos filhos.

Obstar (opor-se, impedir, servir de obstáculo)

É transitivo indireto (rege a preposição a):
É um governo que obsta ao progresso do país.

Olhar

É transitivo indireto na acepção de dirigir ou voltar os olhos e na de cotejar, paquerar (rege a preposição para); mas usa-se com a preposição a na acepção de levar em conta, atentar:
Olhe para aquela mulher: não é uma princesa?
Quem ama não olha a defeitos.

Pagar

Admite as seguintes regências:

a) Pagar alguma coisa: (Transitivo direto)
Ele pagou a conta e saiu.

b) Pagar a alguém: (Transitivo indireto)
Corria o risco de se arruinar e não poder pagar aos credores.

c) Pagar alguma coisa a alguém: (Transitivo direto e indireto)
Paguei a consulta diretamente ao médico.

d) Pagar por alguma coisas: (Transitivo indireto)
Quanto pagou pela hospedagem?

e) Pagar (sem complemento): (Intransitivo)
Muitos assistem aos jogos sem pagar.

Pedir (no sentido de coisa pedida)

É transitivo direto:
Pediu uma refeição leve.
Pode também ser transitivo direto e indireto:
Pediu ao vereador que asfaltasse as ruas de seu bairro.

É transitivo indireto na acepção de interceder (rege a preposição por):
Pediu pelo amigo.

Perdoar

Constrói-se com objeto direto de coisa e objeto indireto de pessoa:
Deus perdoe nossos pecados.
Dizei-lhe que lhe perdoei.
Perdoem-lhe esse riso.


Permitir

Exige objeto indireto de pessoa: (constrói-se com o pronome lhe)
A empregada permitiu ao repórter que entrasse. (Rege a preposição a)
A empregada permitiu-lhe que entrasse. (Transitivo direto e indireto)

ATENÇÃO!! Não se usa a preposição "de" antes de oração infinitiva.
O pai lhe permite sair sozinha. (e não de sair sozinha)

Pisar

É transitivo direto ou transitivo indireto na acepção de por os pés sobre, passar ou andar por cima de:
Pedro pisou a (na) grama.

É transitivo direto na acepção de esmagar com os pés.
Antigamente só se fazia vinhos pisando uvas.

Poupar

É transitivo direto e indireto podendo ter duas formações:
Poupar alguém de alguma coisa.
Poupar alguma coisa a alguém.
Poupe seu pai desse desgosto.
Poupe esse desgosto a seu pai.


Preceder

É transitivo direto ou indireto, indiferentemente:
João Paulo II precedeu Bento XVI no vaticano.
João Paulo II precedeu a Bento XVI no vaticano.


Precisar

No sentido de ter necessidade, necessitar, constrói-se com objeto direto ou objeto indireto, indiferentemente, mas a língua hodierna tem preferência por este último complemento:
O país precisa de agrônomos.
Preciso a colaboração de todos.


Como dito acima, neste último exemplo com o verbo precisar sendo transitivo direto, tal construção, no português contemporâneo, já não tem cabimento, a não ser que o objeto seja uma oração:
Preciso que todos colaborem.

Antes de infinitivo o verbo precisar se diz auxiliar e também dispensa a preposição “de”:
Precisamos colaborar com a limpeza pública.

Às vezes, usa-se na voz passiva, outras, com sujeito indeterminado:
Precisa-se de bons médicos. (sujeito indeterminado)
Precisam-se mais conhecimentos para o ler que para o escrever. (voz passiva sintética)

É transitivo direto na acepção de indicar com exatidão:
Ele diz que perdeu muito dinheiro, não sabe precisar a quantia.

Preferir

É transitivo direto e indireto com a preposição “a” no sentido de escolher uma coisa entre duas ou mais coisas:
O prisioneiro preferiu a morte à escravidão.

ATENÇÃO!! Esse verbo não se constrói com a locução conjuntiva “do que”:
Prefiro trabalhar do que passar fome. (ERRADO)
Prefiro trabalhar a passar fome. (CERTO)

O verbo preferir não admite modificadores como “muito mais”, “mil vezes”, “milhões de vezes”, etc. Preferir, por si só, já traz a ideia de muito mais, mil vezes, milhões de vezes. Portanto, quem os usa comete redundância.

É transitivo direto no sentido de dar primazia:
Confere ao homem o direito de preferir o bem ou o mal.

Prejudicar

É transito direto. O verbo pede complemento sem preposição.
Tal atitude não irá prejudicá-los.

Presidir

É transitivo direto ou indireto, indiferentemente:
Um nordestino preside o (ao) congresso.

Este verbo rejeita as formas lhe e lhes como complemento. Usam-se, então, as formas a ele, a ela, a eles, a elas:
A reunião foi conturbada. Não fui eu quem presidiu a ela.

Prevenir

É transitivo direto e indireto, com objeto direto de pessoa e indireto de coisa:
O serviço de meteorologia preveniu-os do mau tempo.

Proceder

É intransitivo no sentido de ter fundamento:
Sua solicitação não procede.

É intransitivo também na acepção de comportar-se, agir:
Eles procedem honestamente.

È transitivo indireto na acepção de originar-se, provir, derivar, descender:
Da ambição humana procedem muitos males.

Também é transitivo indireto, com preposição “a” no sentido de dar início, levar a efeito, realizar:
O professor procederá ao sorteio dos pontos para exame.

Procurar

Procurar = buscar (sem preposição):
Estava procurando um amigo (buscava)

Procurar = esforçar-se por achar (com preposição por)
Estava procurando por um amigo (esforçava-se por achar)

Puxar

Puxar a alguém = parecer: (transitivo indireto)
O menino puxou ao pai: é muito impaciente.

Alguns gramáticos aceitam ainda a preposição por:
O menino puxou pelo pai: é muito impaciente.

Puxar alguém = arrastar (transitivo direto)
O menino puxou o pai pela camisa.

Querer

É transitivo direto no sentido de desejar:
Não quero você aqui a estas horas.

É transitivo indireto no sentido de estimar, amar (rege a preposição a):
O pai não queria ao filho como à filha.

Referir

É transitivo direto e indireto no sentido de narrar, contar, com objeto direto de coisa e indireto de pessoa (rege a preposição a):
O avô refere várias histórias aos netos.

Na acepção de dizer respeito é pronominal e transito indireto (rege a preposição a):
Não me referia a seu irmão.

Reparar

É transitivo direto no sentido de consertar:
O marceneiro reparou a porta

É transitivo indireto (com a preposição em) no sentido de observar, e com a preposição para, no de olhar:
Repare no que ele diz
Repare para aquela paisagem

Residir

É intransitivo que, geralmente, aparece modificado por adjunto. Rege a preposição em:
Resido nesta avenida há muito tempo.

Evite, pois, esta construção:
Resido à avenida Atlântica há muito tempo.

Ninguém reside "a" um bairro, mas em um bairro; ninguém reside "ao" centro da cidade, mas no centro da cidade.

Responder

É transitivo direto e indireto, com objeto direto de coisa e indireto de pessoa:
O senador respondeu ao jornalista que o projeto do governo sofreria emendas.
Respondeu-lhe que o projeto do governo sofreria emendas.
Neste caso, admite o pronome lhe.

É transitivo indireto em resposta a uma carta, a uma pergunta, a um questionário.
Mônica não responde às minhas cartas
Mônica não responde a elas
Neste caso, não admite o pronome lhe.

É transitivo direto para exprimir a resposta:
O homem respondeu qualquer coisa de ininteligível
Neste caso, aceita a voz passiva.
Qualquer coisa foi respondida pelo homem.

É transitivo indireto na acepção de ser ou ficar responsável (rege a preposição por):
Cada um responde pelos seus atos.

Reverter

É transitivo indireto no sentido de voltar ao primitivo estado ou ao que foi antes, regressar (rege a preposição a):
João, funcionário aposentado, reverteu à ativa.

Também transitivo indireto no sentido de voltar para a posse de alguém (rege a preposição a):
O imóvel reverterá ao legítimo dono.

É transitivo indireto (com preposição em) no sentido de redundar em, destinar-se, converter-se:
A renda do espetáculo reverterá em benefício dos desabrigados.

É incorreto o uso deste verbo no sentido de mudar, inverter.

Servir

É transitivo direto no sentido de prestar serviço e no de pôr sobre a mesa:
As empregadas ainda não serviram os convidados.
Sirva o almoço, Hortênsia!

Sobressair

Não é pronominal em nenhuma hipótese:
A Miss Bahia sobressaiu entre todas as candidatas.

Solicitar

É transitivo direto e indireto, com objeto direto de coisa e indireto de pessoa, de preferência com a preposição de, mas pode aparecer também com a preposição a:
Solicitei do (ou ao) chefe uma folga de três dias.

Subir

É intransitivo com preposição a ou em:
Sobem ao céu rolos de fumaça.
Chegou até subir no banco.

Outras regências serão acrescentadas futuramente.


18 comentários:

Fernanda Cruz disse...

realmente este blog é muito bom. as enquetes são ótimas. muitas pegadinhas. adoro este blog. vc está de parabéns Moisés... um abraço e continue assim, com este propósito de ajudar muitos a relembrar conceitos da língua portuguesa. um abraço.

Anônimo disse...

esse blog me ajudou muitos c/ minhas dificuldades, mas , ainda falta mais alguns verbos para ficar nota 10, valeu!!!

marcosladarense disse...

Renunciar é vti, pede preposição A ?

Moisés disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Moisés disse...

http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/regencia-verbal

Lá você vai encontrar a regência do verbo renunciar. Ele pode ser VTD ou VTI com preposição A.

Bons estudos.

Anônimo disse...

Sou aluna do 3º ano do ensino médio e meu professor passou trabalho com esses mesmos verbos e suas regências...Sempre gostei de português mas tive muiita deificuldades em entender essa parte da regência. Esse blog me ajudou bastante a entender e a fazer o trabalho...rsrs ;] ;P
Briigadão

Anônimo disse...

gostaria que voçê me tirasse uma duvida com relação a concordancia verbal com a preposição em ex: As matérias em estudo. o verbo estudar nao variou para o plural.Existe uma regra na aplicãção com preposição "em".tabosa15009@hotmail.com

Moisés disse...

Meu caro, este foi um caso de regência nominal e estudo aí não é verbo.

fabricio ferreira disse...

Aguém me jude por favor? Por que o exemplo: ''Ensinei a dança a Pedro.'' Não aparece o artigo ''o''? Por que não é assim: ''Ensinei a dança ''ao Pedro.'' Quero saber acerca disso porque quando for um substantivo feminino teria crase, se fosse assim: ''Ensinei a dança à menina.''

Moisés disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Moisés disse...

Meu caro Fabrício, o uso do artigo definido é facultativo antes do nome de pessoas, ou seja, posso dizer "O Pedro gosta de estudar" ou "Pedro gosta de estudar". Menina não é nome de pessoa e o verbo ensinar é transitivo direto e indireto com preposição "a", por isso que "Ensinei a dança à menina" tem crase SEMPRE, mas, se fosse com nome de mulher, poderia ser com ou sem crase:
"Ensinei a dança a Daniela" ou
"Ensinei a dança à Daniela".
Espero ter esclarecido a sua dúvida.
Um abraço e continue estudando.

Anônimo disse...

Parabéns ao sitio. Show de bola. Muito claro, objetivo e útil.

Valeu!!!!!!

Anônimo disse...

A frase "Os esqueletos saem do túmulo"

saem é VTD, VTI ou VI ?


e na frase" Meu pai falou alto"
Qual a transitividade existente? obrigada

Moisés disse...

Os verbos sair e falar nas frases são intransitivos. Os complementos "do túmulo" e "alto" são adjuntos adverbiais, termos acessórios da oração.
Espero ter ajudado.

Márcia Lopes disse...

Boa tarde,
Gostaria de saber a forma correta de escrever a seguinte frase:
"Fica criada duas saídas na avenida"
ou
"Ficam criadas duas saídas na avenida".

Anônimo disse...

Por favor, eu gostaria de saber em qual das frases a regência do verbo "colaborar" é considerada correta:

(1) O corte no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) colaborou com a queda do consumo e, em razão disso, os pátios das montadoras estão superlotados.

(2) O corte no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) colaborou com a queda do consumo e, em razão disso, tivemos uma inflação menor este mês.

Obrigada

Sidnei Medeiros Vicente disse...

Uma conhecida professora, de um renomado curso preparatório para concursos públicos, disse categoricamente que não existe "deparar-se", ou seja, disse que o verbo não é pronominal, que existe apenas "deparar". O que me dizem?

Moisés disse...

Meu caro Sidnei, o verbo é deparar, mas existe a construção pronominal reflexiva. Leia neste blog sobre a regência deste verbo e observe as construções. Caso continue com dúvidas, leia sobre a voz reflexiva e observe que o "se", na frase abaixo, faz o papel de pronome reflexivo, onde o sujeito pratica e sofre a ação. Além disso, o se é objeto direto no exemplo, o que nem sempre é observado.

Uma solução deparou-se aos problemas.